Como costuma ser seu primeiro dia no trabalho?
- Daiane Yoko
- Jun 15, 2020
- 2 min read
Como você avalia a integração na empresa onde trabalha?
Juliana mal dormiu. Estava em pico extremo de ansiedade pois era seu primeiro dia de trabalho.
Levantou cedo, se arrumou e foi sorridente e com aquela sensação estranha no estômago da mistura de medo e adrenalina.
Chegando na empresa foi recebida pelo departamento de RH que lhe apresentou as instalações, fez breve apresentação com os setores e a colocou ao lado daquele funcionário generoso que trabalha muito bem e sempre ajuda os demais colegas. Esse funcionário agora passa a ser o tutor de integração da Juliana.
Esse processo de integração nas empresas costuma ser chamado de Onboarding. É o funcionário embarcando a bordo da experiência dentro da empresa onde irá trabalhar.
Sempre julguei ser a fase mais importante e que precisa de mais atenção dentro de todas as empresas que já trabalhei, e além das minhas experiências, depois de fazer muita pesquisa com outros funcionários percebi que a maioria das pequenas e médias empresas negligenciam essa etapa, sem perceber o castelo de areia que pode ruir após um onboarding mal conduzido.
O colega de Juliana que virou seu tutor nesse processo inicial pode ser um ótimo funcionário e desempenhar muito bem o papel de ensinar e transferir o conhecimento das atividades a ela.
Porém ela estará aprendendo a forma que o colega trabalha, e não o padrão de trabalho da empresa (Sim, empresas precisam ter esse padrão por menores que sejam. O padrão seria a documentação dos processos e atividades, sem isso a empresa se assemelha a um barco a deriva).
Comumente escutamos dentro das empresas que treinamentos são drenos de recursos financeiros e de tempo. Não obstante o Brasil tem um índice de produtividade muito baixo comparado aos EUA por exemplo.
Infelizmente não investimos tempo em qualificação dentro das empresas. Buscamos processos rápidos e baratos sem pensar nas consequências em cima dos resultados da empresa e da qualidade de trabalho que estamos proporcionando as pessoas.
Temos um problema endêmico de reproduzir o discurso de que quem estuda muito não ganha dinheiro. Temos que ir logo para a prática. Aprendemos somente com a interação com o ambiente externo e ações de repetição.
Esse sistema de negligenciar a teoria, o conhecimento (principalmente da literatura mais antiga) é o que construiu e continuará construindo nossa sociedade. Empresas também precisam ser ambientes de educação e não apenas de promoção social.
Em contrapartida, de nada adianta sobrecarregar os funcionários com conteúdo teórico, apostilas, slides, etc. sem que isso seja estruturado e estrategicamente elaborado e tenha significativos resultados para ambas as partes. A acumulação de fatos é apenas informação parada e não merece ser chamada de educação, pois sobrecarrega a mente ao invés de desenvolvê-la e perfeiçoá-la.
Esse processo estruturado e estratégico precisa acontecer já na fase de onboarding.
As empresas precisam olhar e desenvolver mais o departamento de RH ou gestão de pessoas para que sejam aptos a oferecer esse ambiente qualitativo para os funcionários.
Os benefícios de se investir na qualidade desses processos e principalmente de investir na educação corporativa vai muito além de resultados financeiros da empresa.
Uma pessoa bem instruída, guiada e mentorada munida de informação de qualidade e um bom gestor, certamente conduzirá a empresa para a rota desejada e ainda poderá assumir o leme da própria educação e nunca mais ser mero expectador da sua carreira.
fonte externa de pesquisa sobre produtividade no Brasil: https://www.fgv.br/professor/epge/ferreira/ProdutividadeSetorialFinal.pdf




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